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O lugar apesar de tudo
Resumo
Com Shoah, Lanzmann não quis somente fazer “um filme idealista” no qual seriam formuladas grandes questões, mas um filme de “geógrafo”, de “topógrafo”, ao retornar para sempre a esses lugares da destruição, que, mesmo destruídos, após a guerra, não “mudaram”. Para ele, o Holocausto não deve em nenhum caso ser do domínio da lembrança, mas uma investigação sobre o presente dos campos. O que esses campos nos impõem? A quais imagens eles se referem? Qual o benefício de retornar a eles? Essas são questões do cineasta que encontram uma forma correta de transmitir o que não pode ser dito. Ao perguntar aos sobreviventes sobre o retorno aos campos, Lanzmann mudou o curso do cinema em sua consciência e história.
Palavras-chave
Shoah; Lugar; Testemunho; Processo cinematográfico.
The place despite everything
Abstract
In Shoah, Lanzmann did not want to make an “idealistic film” where major questions would be asked but a “geographer’s, topographer’s” film, by forever returning to places of eternal destruction that, even destroyed after the war, “have not changed”. For him, the Holocaust must in no case belong to memory, it must remain an inquiry into the present aspects of the camps. What do these camps impose to us? To which images do they refer? What good is it to go back to them? These are the filmmaker’s questions who finds the right form to convey what cannot be said. By asking the survivors to return to the camps, Lanzmann has changed the course of cinema in its conscience and in its history.
Keywords
Shoah; Place; Testimony; Cinematography process.
DIDI-HUBERMAN, Georges. O lugar apesar de tudo. Tradução: Fercho Marquéz-Elul. Revista-Valise, v. 12, n. 20, ano 12, p. 381-405, dez. 2022. Dossiê: Arte, ditaduras e sobrevivências.
Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/RevistaValise/article/view/127775.
